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A entrevista que deu ao ‘Financial Times’ demonstra que o tempo não lhe ensinou nada. O autismo continua. O mundo é que está contra ele. Foi mesmo uma entrevista para inglês ver, como se fôssemos todos um bando de parolos incapazes de perceber a realidade.

AREIA PARA OS OLHOS

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A depreciação do rating de vários bancos portugueses deve ser, para o primeiro-ministro, qualquer coisa com pouca importância. Aliás, a desvalorização do assunto parece palavra de ordem no Governo, que se tem apressado a dizer que os testes de stress aos bancos demonstram estarmos perante instituições com enorme solidez. Os malandros que nos monitorizam do estrangeiro é que vêem fantasmas onde eles não existem. Carlos Santos Ferreira e os colegas de outros bancos não necessitam, pois, de preocupar-se. Mesmo que houvesse algum problema, Sócrates inventaria dinheiro para os socorrer. Só as agências de rating é que pensam o contrário. Vá lá saber-se por quê !

APROVEITAR A OPORTUNIDADE

Francisco Louçã fez uma intervenção a lembrar que o maior investimento público feito em Portugal foi da responsabilidade de Sócrates e dá pelo nome de BPN. Já custou uma montanha de dinheiro ao País. Quem saiu a lucrar com a nacionalização de um banco que, sendo privado, deveria ter encontrado solução entre os seus accionistas ? O primeiro-ministro responderá que foi Portugal. Os contribuintes terão tendência a responder-lhe que não, fartos de serem esportulados em função de decisões de sentido discutível. De uma coisa estão certos: pagam, pagam, e voltam a pagar. A isso os obriga um Estado com apetite devorador, incapaz de fazer dieta, que acrescenta, hora a hora, dois milhões de euros à dívida que se vê grego para pagar.

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EXCESSO DE CONFIANÇA

O mundo da TV aberta em Portugal está a mexer. A saída de Gabriela Sobral da TVI não deve ser encarada apenas como a mera transferência de um quadro de uma empresa para outra. Permite à SIC dar um sinal ao mercado de que se propõe manter viva e competitiva e transmite da TVI uma imagem sobranceira, numa atitude que lembra lógicas imperiais. A estação possui um modelo de oferta que se tem mostrado uma fortaleza. Mas não há muros intransponíveis. Por cá, como no Brasil, por exemplo, as coisas só são o que são por falta de comparência dos adversários que os líderes enfrentam. Perder de vista as lições da História é um risco. A argamassa que une os tijolos de um projecto é feita de pessoas – e há umas mais descartáveis do que outras...

NOTAS (DE 0 A 20)

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PASSOS COELHO: 14

Marca pontos ao deixar claro que não está disponível para blocos centrais. Tudo o que contribua para precipitar o fim do pântano em que Portugal se encontra deve ser louvado.

SÉRGIO PAULINHO: 14

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Subiu ao pódio numa etapa da Volta à França. Vitória da persistência, 21 anos depois de outro português ter conseguido o mesmo. Não é Agostinho mas pedala com valentia.

ISABEL ALÇADA: 8

Não acredito que metade dos alunos do 9.º ano sejam uma legião de burros. As baixíssimas notas a Matemática mostram que as falhas do sistema persistem.

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ISALTINO MORAIS: 7

Mantém o mandato – mas subsistem condenações. Independentemente da qualidade do seu trabalho em Oeiras, a permanência no cargo levanta questões éticas e morais.

SOLTAS

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TRISTE NOTÍCIA

n Mais um jornal que desaparece. A versão em papel do histórico ‘Jornal do Brasil’ morre em 31 de Agosto. A quebra acentuada de vendas que vem registando traçou o seu destino. De 150 mil exemplares vendidos passou a 17 mil. A versão digital não afasta os fantasmas que ameaçam o jornalismo em geral.

XANGAI, CIDADE QUE RASGA O CÉU

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n Xangai, exemplo de convivência entre duas Chinas, a antiga e a moderna, é um deslumbramento. Para os arquitectos e amantes do pós--modernismo, o Paraíso está aqui. O mar de gente e de autocarros que submerge a Expo explica por que razão se chega a esperar quatro horas numa fila para visitar um pavilhão.

OUTRA VIDA

n É este o nome do livro de Rodrigo Lacerda, que me introduziu na obra do autor. Decidi lê-lo atraído pelo facto de ter ganho o Prémio São Paulo de literatura deste ano. Que bela descoberta! Uma história cerzida com imaginação prodigiosa e um cuidado primoroso na escrita e também no estilo.

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