É muito difícil passar ao lado das críticas de Luís Filipe Menezes à actual liderança do PSD. Quarenta e cinco dias depois de Manuela Ferreira Leite ter assumido os comandos dos social-democratas, Menezes não resistiu ao silêncio que prometera após a sua demissão. Veio a público partir a louça toda com argumentos que não são fáceis de rebater. Em primeiro lugar, encosta Manuela Ferreira Leite à ala mais conservadora da direita portuguesa. Julgo que ninguém esquecerá a afirmação da líder quando afiançou que o casamento é um magistério virado em exclusivo para a procriação. Nem o CDS se atreveria a tanto. Para quem aspira a ser Governo, esta emblemática tirada empurra fortemente o PSD para águas bem distantes do centro e, portanto, com muito poucas possibilidades de cativar o eleitorado entre o PSD e o PS, que não se revê em quadros tão conservadores. Mas Luís Filipe Menezes não se ficou por aqui. A radiografia que faz da liderança de Manuela Ferreira Leite mostra outros sinais igualmente preocupantes. O mais notado é o estado de inacção a que a líder actual se remeteu. Esteve ‘ausente’ de todas as questões difíceis que afligiram o País e o Governo de Sócrates. O silêncio dos actuais dirigentes do PSD escandaliza Menezes, que sabe que seria crucificado em circunstâncias semelhantes. Manuela Ferreira Leite não se pronuncia sobre nada. Poderá dizer-se que é uma forma de marcar a diferença em relação ao antecessor. Mas o que se percebe é alguma insegurança e um certo tom ‘freirático’, que a leva a ‘fugir’ da Comunicação Social, como se fosse possível viver sem ela nos tempos que correm. Manuela Ferreira Leite parece acreditar que o poder lhe cairá no regaço se ficar quieta, calada e voltada para a frente. É uma estratégia muito arriscada. Quando o País vive horas difíceis, não é admissível que o líder do principal partido da oposição se exima às suas responsabilidades, se escuse à apresentação de alternativas e aguarde o eventual desmoronamento do Governo. Manuela Ferreira Leite tem um estilo de liderança ‘demodé’. Às vezes parece estar a fazer um grande sacrifício que lhe foi pedido por alguém a quem não poderia recusar tal tarefa. Se não mudar de estilo acaba o mandato sem ninguém perceber o seu projecto. Não é deputada, não debate com ninguém nenhum assunto de interesse nacional. Quer fazer política à porta fechada. Por outro lado, as pessoas de mérito que a rodeiam não assumiram, até agora, qualquer protagonismo. Este deserto não augura nada de bom para o PSD que quer chegar ao poder. O retrato que Luís Filipe Menezes traça não foge à verdade.
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