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Não que as pessoas me lembrem ratos, o meu respeito por todas elas; mais no sentido de se sujeitarem a viver inescapavelmente observadas, dentro de um espaço e de um tempo limitados. A ideia é antropologicamente interessante, sempre achei. Se somos ou não voyeures, ou voyeuses, isso é outro aspecto.

Há quem se interesse pelo escândalo, por exemplo - a tensão sexual que se cria e as diferentes formas de debelá-la. Não que eu seja indiferente à capacidade de abstracção necessária para tornar pública uma coisa tão difícil como a intimidade; mas interessam-me mais outros aspectos, muito mais pornográficos, como a exposição impúdica de um baixo QI ou de uma índole venenosa, de um complexo de inferioridade ou de uma patologia expressa. É a isso que se sujeitarão os convidados d’ A Quinta, sem crise aparente, arriscando uma coisa tão cara como a face pública em troca de outras tão baratas como o dinheiro ou a notoriedade.

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É claro que haverá quem se preste a isto sadiamente, por puro desafio ou diversão, interessado em testar o seu grau de naturalidade sob a pressão dos holofotes. Ou, ainda, quem consiga ser tão genuíno que cative por isso mesmo. De qualquer forma, estarei aqui pelo teatro. É sempre ele que me interessa, na farsa ou no drama.

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