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— Posso até começar jogando e depois dar o lugar para o Cicinho. Tenho recordes para quebrar e gostaria de fazer isso.

Aí é que mora o perigo: Cafú tem recordes individuais para quebrar, Ronaldo também e por aí vai o drama de Parreira. Ora bolas, o Brasil não está aqui na Alemanha para ajudar ninguém a bater recordes — se eles acontecerem, naturalmente, óptimo. Mas não pode ser essa a finalidade da selecção brasileira, que veio à Copa tentar ganhar o hexa e para isso precisa usar os melhores jogadores. Pelo pouco que vêm mostrando, Cafú, Roberto Carlos e (principalmente) Ronaldo não parecem estar entre eles.

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Essa história de quebrar recordes e consolidar trajectórias “mais brilhantes” na selecção, em todos os tempos, já produziu uma das maiores besteiras proferidas neste Mundial. Foi quando Roberto Carlos disse que, se o Brasil conquistasse o hexa, a carreira de Cafú nas Copas superaria até a de Pelé. Maior absurdo, impossível...

É bom, aliás, que se destrua também outra enorme idiotice que vem sendo exaustivamente repetida: a de que, se conquistarmos o hexacampeonato, esta geração será a mais vitoriosa de todos os tempos. Para começar, esta não é uma geração. Do título de 94 para cá, várias gerações participaram nas quatro Copas. Ou por acaso alguém acha que Cafú e Ronaldo (os únicos que estiveram na campanha do tetra) pertencem à geração de Robinho, Fred ou Cicinho? Rematada tolice!

O que se poderá dizer, em caso de conquista da actual Copa, é que esta se tornará a era mais vitoriosa do futebol brasileiro, espaço de tempo no qual conviveram várias gerações que, juntas, conseguiram a proeza de levantar, em quatro Mundiais seguidos, três títulos e um vice. O resto é papo p’ra boi dormir — e atrapalhar o Parreira na hora de escalar o melhor time.

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A maioria da imprensa dá como certa a entrada de Juninho, caso Parreira decida mexer no esquema táctico. Insisto: não me surpreenderei se, ao desmanchar o ‘Quadrado’, Parreira optar por Gilberto Silva, para jogar ao lado de Emerson, liberando um pouco mais Zé Roberto para o ataque e avançando Ronaldinho Gaúcho.

- ACHTUNG PANZER! O Equador vinha de duas vitórias, jogando um futebol insinuante. Apesar das reconhecidas limitações técnicas, a Alemanha simplesmente passou por cima dos sul-americanos. Olho na divisão panzer...

- FALTA MAESTRO? O grande companheiro Vital Battaglia manda-me uma observação interessante: “Renato, a Argentina é uma orquestra, sob a batuta de um maestro. O Brasil é uma banda de jazz. Cada um improvisa à sua maneira.”

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- EXPERT. Niv Vigdor, o israelita que se diz interessado em ser um dos investidores do Flamengo, está na Alemanha e ficou encantado com um brasileiro: “Que bom jogador este Kaká! Ele deve ser bem valorizado, não? Onde ele joga mesmo?”, perguntou. Investidor “do ramo” é isso aí..

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