José Rodrigues

Grande repórter

Reféns do medo

08 de outubro de 2012 às 01:00
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Falamos do medo, agora reforçado com o anúncio do colossal assalto fiscal. Para a maioria dos portugueses, é sobretudo o medo do desemprego, da falência, da pobreza, entre outros medos nascidos da incerteza quanto ao futuro, que nunca foi tão grande e tão angustiante como agora. Já para o Governo, o medo é outro: o da fúria popular.

Num país tido como de brandos costumes, multiplicam-se perigosamente os sinais de tensão. Os protestos, que até há pouco se remoíam nos cantos, manifestam--se agora abertamente nas ruas, onde crescem em número e expressão, visando os membros do Governo e o próprio Presidente da República. Nem nas ocasiões mais solenes estes são poupados, como ficou provado na celebração do 5 de Outubro, que só não registou mais incidentes por ter mantido o povo à distância.

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Vaiados e apupados como nunca, os representantes do poder fogem agora daqueles que os elegeram. É caso para dizer, citando Epicuro, que não se pode não ter medo quando se inspira o medo…

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