O Papa Francisco publicou a sua primeira encíclica. Encerra a trilogia iniciada por Bento XVI sobre as três virtudes teologais: caridade, esperança e fé. O seu antecessor abordou as duas primeiras, nas encíclicas ‘Spe salvi’ (2007) e ‘Caritas in veritate’ (2009).
Ainda antes de resignar, Bento XVI "já tinha quase concluído um primeiro esboço desta carta encíclica sobre a fé", revela o Papa Francisco, que assume "o seu precioso trabalho", limitando-se "a acrescentar ao texto" as suas contribuições.
Não é a primeira vez que um Papa recolhe e completa o trabalho do seu antecessor – terá acontecido o mesmo com Bento XVI. Mas, provavelmente, é a primeira vez que o próprio o reconhece no texto da própria encíclica, depois de já antes ter prevenido de que esta seria escrita "a quatro mãos".
Como é habitual nos textos do magistério, a encíclica recebe o nome das suas duas primeiras palavras, da versão latina: ‘Lumen Fidei’, que significam a Luz da Fé. Essas palavras são, por isso, bem ponderadas, para traduzirem o sentido do documento. No caso desta nova encíclica, dizem-nos, claramente, o assunto e a perspetiva da abordagem à temática da fé: uma experiência luminosa.
Ao apresentar desta forma a fé, o Papa assume uma atitude provocatória para com os que, ainda, consideram as convicções religiosas como ilusórias e que impedem o ser humano de "cultivar a ousadia do saber". Por isso, procura demonstrar que a fé não se opõe à busca da verdade, mas até a pode potenciar. Nem a razão precisa de se libertar da fé, como propunha o Iluminismo no século XVIII, para a ciência poder avançar e desenvolver-se; pelo contrário, deve desenvolver com ela sinergias.
"O olhar da ciência tira benefício da fé: esta convida o cientista a permanecer aberto à realidade, em toda a sua riqueza inesgotável. A fé desperta o sentido crítico, enquanto impede a pesquisa de se deter, satisfeita, nas suas fórmulas e ajuda-a a compreender que a natureza sempre as ultrapassa.
Convidando a maravilhar-se diante do mistério da criação, a fé alarga os horizontes da razão para iluminar melhor o mundo que se abre aos estudos da ciência", afirma o Papa Francisco no surpreendente número 34 desta encíclica.
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