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No momento em que Judite de Sousa entrevistava Ricardo Araújo Pereira (RAP), esta quinta-feira, no pico do ‘prime time’, 33 por cento dos telespectadores estava sintonizado na RTP – um valor raríssimo, naquele horário, para os registos habituais da estação pública e a prova de que este humorista se transformou mesmo num fenómeno de massas.

A conversa entre a jornalista e o mais famoso dos ‘gatos’ liderou de forma clara a audiência, conseguindo a proeza de ter mais público do que as telenovelas da concorrência, pouco habituadas a este tipo de ‘ultrapassagens’ perigosas. Portanto, se alguma coisa deve ser renovada na RTP, hoje em dia, é... o contrato de Ricardo Araújo Pereira. Apetece perguntar – e saber de uma vez por todas – quem foi, afinal, o responsável pela saída dos Gato Fedorento da SIC. Quem fechou a porta ao talento deste excelentíssimo português (RAP)?

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Se alguém se quiser dar ao trabalho de fazer as continhas e conseguir quantificar – ao ‘share’ e ao cêntimo – o que a SIC perdeu com a saída dos Gato Fedorento depressa vai entender a dimensão do erro, ampliado ainda com as infelizes declarações de Francisco Penim na altura da mudança do quarteto para a RTP. Um gestor fiável não se comporta assim. O talento criativo e humorístico de Ricardo Araújo Pereira, mas também a sua capacidade retórica; a invulgar cultura geral e o elevado sentido profissional, que sempre tem demonstrado, fazem crer que estamos perante um dos maiores prodígios comunicacionais dos últimos anos.

Não é por acaso, de resto, que algumas recentes promessas do humor (Bruno Nogueira, Nilton, Marco Horácio ou, entre outros, Aldo Lima) têm tido dificuldade em conquistar espaço televisivo. O talento natural de RAP levou a fasquia muito lá para cima e, como nós, portugueses, adoramos fazer comparações, dá para perceber o problema que está criado.

E, pior ainda, como os ‘gatos’ não se cansam, chegam a parecer omnipresentes: programa no horário nobre; ‘spots’ promocionais (fantásticos, ainda por cima), em todas as faixas horárias; é o DVD com a série Lopes da Silva; entrevistas na rádio, Imprensa e TV; é a campanha publicitária da PT; a febre no YouTube; enfim, é o génio disseminado e a secar tudo o que está à volta. Creio que, neste momento, o ‘Diz Que é Uma Espécie de Magazine’ já é um produto muito difícil de derrotar. Mas para eles – os quatro ‘gatos’ – serem elevados à condição de imbatíveis faltará apenas um teste: vencer Herman José, já a partir de Fevereiro, quando a SIC desafiar o quarteto ‘desertor’ com o novo ‘Hora H’.

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