Diz 1980. Chegara à Roménia (ainda de Ceausescu) há poucos dias. Nos Cárpatos, junto ao Largo Vermelho, o nosso grupo teve um acidente.
A carrinha da agência oficial de turismo despistou-se. Muitos feridos.
Verifiquei que o veículo tinha os quatro pneus carecas, mas o chefe da comissão de inquérito insistia em que assinássemos documentos, culpando exclusivamente o desgraçado condutor (adepto do Benfica).
Recusámos, mas essa é outra história. Lembrei-me disto a propósito do desastre de Congonhas, que pôs brasileiros e portugueses de luto pesado.
Depois de ocorrências parecidas, em Agosto e Outubro de 2006, e mesmo sem tirar conclusões definitivas, é difícil não pensar num mal estrutural. Muito mais bonito e futurista do que Guarulhos, o aeroporto transatlântico de S. Paulo, Congonhas, parecia, mesmo assim, um barril de pólvora. Culpar o piloto é fácil, assim como é tirar conclusões imediatas para a Portela, fiscalizada, colocada e assegurada de forma diversa, apesar de todos os reconhecidos riscos (o seu ponto fraco).
Volto a página, vejo a imagem do último morto dinamarquês no Iraque, o soldado Kim Petersen. Era de Aarhus, jovial melómano e cinéfilo, bravo Dragão da Jutlândia. Os pais pediram aos media que os deixassem a sós com a dor.
No campo militar Danevang, perto de Bassorá, o seu chefe do batalhão, Kim Petersen, dirigia uma operação sensível: acabou de evacuar, com a ajuda de rangers da força aérea, e outras forças especiais, 200 iraquianos que tinham servido o contingente escandinavo, e podiam sofrer represálias.
Guias, tradutores, secretários, condutores, seguranças, cozinheiros e ajudantes, são agora todos súbditos de Sua Majestade. O reino protege aqueles que o ajudaram. É um exemplo de honra e lealdade.
Recordo, por isso, os comandos africanos que o Exército português deixou, à beira da morte, na Guiné.
Sobre transições traumáticas, neste caso do paraíso da infância, para a selva da idade adulta: a última frase de ‘Harry Potter e as Insígnias Mortais’ é “tudo estava bem”.
A MINI-GUERRA FRIA
Vladimir Putin declarou que o que existe entre o Kremlin e o “Ocidente” é, apenas, uma “mini-crise”. Que passará, como a maré (só que esta regressa).
O conservador ‘Spectator’, pela pena de Fraser Nelson, pensa, ao contrário, que há mesmo uma “Guerra Fria”, agravada pela “fragilidade” russa e pelos perigos que daí decorrem. Entre eles, o de carregar no gatilho.
Tese conveniente, arrepiante, mas contestável.
CRESCENTE TURCO
Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), islamista de classe média, moderado e europeísta, fundado só em 2001 (por Gul e Erdogan), mas já um sucesso? Partido Republicano do Povo (CHP), dirigido por Deniz Baikal, “de centro esquerda”, herdeiro do secularismo Kemalista? Grupos arménios e curdos, aliados “anti-centralistas” do AKP? Radicais? Jovens? Pacifistas?
Há de tudo, nas eleições turcas. Mas o mais importante é o espaço para decidir.
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