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A meta para a demanda deste Graal financeiro estava marcada para setembro de 2013 como tantas vezes anunciou o desaparecido profeta Gaspar.

Apesar dos rotundos fracassos da estratégia orçamental de 2011 e 2012, desde as declarações do BCE de fé e bravura pelo futuro do euro no verão do ano passado, verificou-se uma evolução favorável dos juros suportados por Portugal em linha com a dos outros países da Europa do Sul.

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O temido Bojador financeiro dos 7% parecia ter sido vencido, viabilizando a gloriosa emissão de dívida de maio que permitiu aos comentadores do regime dizer que a autonomia estava recuperada e as necessidades de financiamento já garantidas até meados do próximo ano. A partir daqui, bastaria manter o rumo e aproveitar as oportunidades geradas pelo regresso à Europa da sede de capital. Um ajustamento externo feito pelo empobrecimento, uma execução orçamental pendurada na extorsão de mais 36% de IRS e os desastrosos resultados económicos e orçamentais do 1º trimestre levaram à crise de fé que isolou Gaspar no Governo e banalizou os estados de alma de Portas. Isolado do País, o Governo desperdiçou na 7ª avaliação o momento para construir um consenso em torno da mudança de estratégia negocial no sentido do crescimento. A crise política de julho liquidou o que sobrava da credibilidade do Governo.

A pirotecnia de Portas sobre o novo rugido para com a troika teve fulgor breve perante a falta de pachorra doméstica para duetos desafinados, a ortodoxia de Maria Luís e a surdez dos credores para com um Governo fraco quando a Europa pensa que já superou a crise do euro. Os temíveis 7% de juros que levaram Sócrates ao tapete da troika para gáudio da direita estão de volta desde julho. Portas a falar grosso para deputado ver enquanto Maria Luís diz ao Eurogrupo que não pediu nada parece uma cena de má revista à portuguesa sem palco nem crédito nos mercados.

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