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Duvido que Gaspar tenha insónias com Ingrid Bergman mas sei que o cinéfilo Portas não desprezaria rever Liv Ulmann.

O debate orçamental que hoje se inicia é um penoso exercício de autoflagelação coletiva com cartas marcadas e fracasso garantido. Do mestre sueco tem a soturnidade e o cinzento cortante da ausência de esperança ao serviço de uma obsessão inalcançável. Tem a cadência da voz obscura mas sem a dimensão mística do renascimento na próxima aurora sem ocaso. Gaspar terá o tom monocórdico da mística fria perante os despojos das vítimas do erro reiterado que atribui à injustificável insubordinação da realidade.

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Não sei se este Governo sobreviverá ao Inverno do nosso descontentamento mas temos a sensação de se estar a iniciar um exercício penoso de resultado sempre desgostante para quase todos até na ainda maioria.

A falta de credibilidade do Governo no pós-7 de Setembro abriu um buraco negro repleto de forças sem sinal claro entre a anárquica demissão da agonizante maioria e a pulsão incoerente da rua inorgânica. É neste espaço de plasticidade entre o pegajoso e o incerto que os parceiros sociais, Cavaco e o PS têm nas mãos a sobrevivência da democracia portuguesa.

A dimensão da incerteza europeia, os riscos de desagregação ibérica, os perigos dos populismos tonitruantes sobre a cobardia dos tacticismos levam-nos de volta à humildade miserável da economia de guerra tristemente elogiada pelos comentadores oficiosos.

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O Nobel da Paz europeu é a justiça histórica mais bizarra de sempre e esperamos que previna o apagamento da memória coletiva lembrando que, para lá da crise, é preciso desmascarar a serpente ainda no ovo e dizer que na economia e na política Anos 30 do século XX nunca mais… mesmo na versão português suave do mago do paternalismo financeiro.

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