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Em Inglaterra, está prestes a sair da cadeia o multimilionário Lorde Jeffrey Archer. Ele esteve à beira de ser primeiro--ministro do seu país, até que rebentou um escândalo sexual. Já reabilitado, foi designado candidato do Partido Conservador à presidência da Câmara de Londres, mas veio a desistir devido a acusações de prática de crimes.

Mesmo a propósito, a Europa--América acaba de lançar a versão portuguesa do seu diário da prisão, intitulado ‘FF8282’, o número de prisioneiro que lhe coube em sorte.

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Jeffrey Archer foi condenado a quatro anos de prisão e, no dia 19 de Julho, completa dois anos de cárcere, o que lhe vai permitir gozar de liberdade condicional, já concedida, por ter cumprido metade da pena.

Como o dia 19 calha a um sábado, só lhe vão ser abertas as portas da cadeia na segunda-feira seguinte.

A lei criminal portuguesa, de tradição humanista, é mais generosa. Se o dia da libertação coincide com o fim-de-semana, o preso sai na sexta--feira. Caso recaia no dia 24 ou 25 de Dezembro, é libertado a 23, de manhã.

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Archer começou a sua carreira política muito cedo. Aos 29 anos, era dos deputados mais jovens da Grã-Bretanha. Em 1974, demitiu-se devido à falência de uma empresa canadiana, da qual era accionista. Enquanto esteve no Canadá, para depor em tribunal, foi detido por suspeita de furto numa loja, embora nunca tivesse sido acusado formalmente.

Dedicou-se, então, a escrever romances, que totalizaram mais de cem milhões de vendas em todo o mundo. As suas obras, excepcionalmente interessantes, têm sido publicadas em Portugal. Destacam-se ‘Caim e Abel’, ‘O Quarto Poder’ e ‘Erro Judicial’ que deveria ser lido por todos os juristas. Archer fez fortuna com a sua actividade literária.

Em 1985, voltou a entrar na política pela porta grande. Nos tempos áureos de Margareth Thatcher, foi nomeado vice-presidente do Partido Conservador. Já se sabia que, no futuro, ele iria substituir a dama de ferro no cargo de primeiro-ministro.

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Um ano depois, o jornal ‘Daily Star’ publicou uma extensa reportagem, relatando um encontro deste político com uma prostituta, a quem ele teria pago para que ela se mantivesse em silêncio quanto ao relacionamento entre ambos.

Jeffrey Archer demitiu-se de todos os cargos.

Mas processou o diário. No julgamento, o seu amigo Ted Francis forneceu um álibi perfeito. Os dois tinham estado juntos à hora apontada pelo jornal como sendo a do encontro com a prostituta. Archer recebeu o equivalente a 340 mil euros de indemnização.

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Em 1992, foi agraciado com o título de Lorde.

Decorridos sete anos, preparava-se para concorrer ao cargo de presidente da Câmara de Londres, quando se descobriu que afinal o tal álibi era falso. Francis, que entretanto cortara relações com o seu antigo amigo, tinha mentido em tribunal.

O Lorde Jeffrey Archer foi condenado a quatro anos de prisão, pela prática de dois crimes de perjúrio e um de obstrução à justiça. Para além de ser obrigado a devolver a indemnização ao jornal, claro.

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Agora, vai sair em liberdade condicional, apesar da sua permanência na cadeia ter sido marcada por alguns incidentes.

Certa vez, na cantina, foram servidas salsichas com batatas cozidas. Jeffrey Archer levantou-se e disse em voz alta, para que todos ouvissem:

– É isto o jantar? Onde é que está o caixote do lixo?

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E deitou mesmo a comida fora.

Noutra ocasião, foi-lhe permitida uma saída precária para visitar a família. Mas o preso aproveitou para participar numa luxuosa festa na casa de um deputado.

A própria publicação do seu diário foi controversa. Os serviços prisionais consideraram que tal constituía violação das regras dos detidos e cancelaram-lhe algumas regalias de alimentação.

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