Alfredo Leite

Jornalista

Venâncio, o líder virtual

09 de novembro de 2024 às 00:31
Partilhar

Dependendo do ponto de vista, a marcha sobre Maputo, promovida pelo líder da oposição moçambicana, Venâncio Mondlane, pode considerar-se um sucesso ou um fracasso. Realizou-se, ainda que de forma frouxa, à custa da população que, com risco de vida, ousou enfrentar a previsível violência policial e aproximar-se do centro de Maputo. Mas falhou a promessa de invadir a capital moçambicana com um Mondlane vitorioso à cabeça dos protestos e também não evitou três mortes, mais de 60 feridos, detenções e pilhagens. Era previsível que a presença de Venâncio Mondlane à frente da fragmentada manifestação seria uma atitude suicida, que não poderia acontecer. Mas essa já era uma verdade óbvia quando Mondlane anunciou, com uma elevada dose tanto de messianismo, como de populismo, que iria estar de volta a Maputo, deixando o lugar secreto para onde fugiu depois da morte, a tiro, de dois dos seus mais diretos colaboradores. E de onde, através do Facebook, comanda a revolta contra o que diz ser a fraude eleitoral que deu a vitória à Frelimo.

Acontece que Mondlane não pode ficar eternamente longe da rua, à espera que o regime trema apenas pela motivação virtual de quem o segue. Na segunda-feira, quando anunciar novas medidas de protesto terá também de esclarecer se quer estar ao lado do povo que tomba ou ver as mortes do conforto do seu confortável ‘exílio’.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar