Partilhar

Alguém disse que a política é a única profissão para a qual se considera desnecessária qualquer preparação. Vou mais longe: no futebol é a mesmíssima coisa. A impreparação aliada à vaidade e a um pato-bravismo que mete dó estão a atirar os clubes para a falência.

Quem no devido tempo apenas se bateu pelo Sporting (contra os adversários) não o debatendo contribuiu decisivamente para este estado de agonia em que a instituição mergulhou. João Rocha chamou ladrão a José Roquette. Sartre dizia que a vergonha passa quando a vida é longa. Não sei se é o caso. Os tribunais acharão, ou não, a resposta. A ‘leonina’ zanga de comadres conheceu esta semana um ponto alto. Pareciam todos vizinhos: José Roquette, Ernesto Ferreira da Silva, Dias da Cunha, Filipe Soares Franco, entre outros que disputaram a cadeira mais pequena ao lado destes gigantes.

Pub

De repente, a vizinhança deu conta de uma grande balbúrdia. Ninguém tinha um raminho de salsa para dar cor ao arroz de tomate. E, entre acusações de quintal, percebeu-se que Dias da Cunha ficou agarrado ao esfregão. Ele que contribuíra para a conservação imerecida do estado de graça de José Roquette. Ele que, no auge das suas contradições e depois de mandar todos à fava, deixara tudo preparado para Ernesto Ferreira da Silva lhe suceder. Este, apanhando o seu promotor em Moçambique, nem teve a delicadeza de o avisar que não estava disponível até final de 2008, depois de induzir fortemente que podia estar.

Dias da Cunha refere agora que foi o próprio Soares Franco a concordar com a solução-Ferreira da Silva e que, por isso, devia ser poupado neste ínterim. Soares Franco avança sob o ‘juramento’ de que nunca se candidataria. Era uma questão de princípio e talvez de ‘lealdade’ perante Dias da Cunha. Mas a cooptação parece fabricar uma substância que provoca efeitos secundários (in)desejáveis e Soares Franco mudou de ideias. Há quem diga que os acontecimentos fazem mais traidores do que as opiniões. Há quem pense que Dias da Cunha mereceu a traição. Ou porque não ouviu ninguém. Ou porque se aliou a alguns ‘amigos’ que, cinicamente, lhe estão a comer a carne. Dentro do Sporting, fora do clube, junto da Comunicação Social que lhe deu a mão e lha estende agora piedosamente, deixando a outra livre para felicitar quem melhor se posiciona. É sempre assim. Jogos duplos e pessoas com duas caras fazem parte deste imenso teatro. Pequenos papéis para pequenos actores.

Eu, que critiquei Dias da Cunha (valorizando algumas das suas ideias), porque nunca percebeu que era preciso agir e reagir no universo do futebol e foi completamente autista sobre as causas e consequências do famigerado Manifesto, acho que não merece esta desfaçatez. Agora, aqueles que o bajularam atiram-lhe pedras. É fácil e cómodo e dá tempo para que as abelhinhas se reúnam à volta da colmeia. Vejo agora os escudeiros de Dias da Cunha a traçar armas a favor de Soares Franco. E os que traçam, troçam. Que degradante espectáculo.

Pub

Entre traições, as maiores vítimas são os adeptos. Enganados pelo cândido projecto Roquette. O projecto Roquette é o Estádio e a Academia? Por amor de Deus! Certamente não era um imperativo do projecto Roquette levar o Sporting à falência. Povoou-se o universo ‘leonino’ com palavras como equilíbrio financeiro, contenção, rentabilização. Onde está essa rentabilização? Não me venham dizer que se construiu com a ideia de vender. Vende-se porque não há nenhuma solução mais fácil. O Sporting está em ruptura de tesouraria, os bancos apertam, mas era preciso renovar com Liedson porque vem aí a AG e depois as eleições. Não há dinheiro para pagar a Liedson, mas depois logo se vê. A venda é sempre uma hipótese.

O desvio orçamental só por si justifica a alienação? Quantas alienações foram realizadas sem convocação de Assembleias? E as contas consolidadas, onde estão? É por isso que a auditoria urge! Entre vendidos e vendas para os olhos, o Sporting extingue-se. Foi o clube do Joaquim Agostinho, do Carlos Lopes e do Mamede. Agora é um clube com 30 mil sócios que não merecia esta prenda de centenário. Para quem acredita que a morte é fim e princípio de vida, as eleições vão ser uma festa.

Nota – A renovação do contrato de Liedson tem um mérito: agora já não há directores a ganhar mais do que jogadores!!!

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar