1 - Quando começa? O melhor da 16.ª jornada foi já ter terminado. Houve golos razoáveis, um ou outro jogo com alguma emoção, mas nada que se compare com a próxima e última da primeira volta: o primeiro joga com o terceiro, o segundo mede forças com o quarto. Quando começa a 17.ª jornada?
2 - Grande Benfica. Enquanto a bola não rola, quatro ou cinco ideias sobre o que ficou do primeiro fim-de-semana de 2003. A primeira é óbvia: o Benfica foi o grande vencedor da jornada, ganhou sem precisar sequer de jogar. O sonho de qualquer presidente de clube.
3 - Que Sporting é este? Laszlo Bölöni voltou a vencer sem Jardel. O Sporting que esteve em Setúbal fez o suficiente para somar todos os pontos, mas não para convencer os adeptos de que tudo vai bem. Até porque não vai. O treinador continua a insistir numa vocação que Quiroga não tem e o argentino repete os erros. Desta vez podia ter sido comprometedor. Do meio-campo para a frente também se percebe com dificuldade quem é titular. Como Bölöni ganhou o indelicado hábito de fugir às perguntas que não lhe agradam, continuam por responder quase todas as questões. A onze pontos do FC Porto, o campeão chega ao clássico numa situação invulgar: se ganhar é surpresa.
4 - Surpresa, sim. Não é embirração, são os factos. De um lado estará um Sporting instável, preso aos próprios fantasmas, cansado do interminável caso Jardel (como lidar com um jogador que está ausente quando aparece e tão presente sempre que vai embora?) e obrigado a jogar tudo em 90 minutos. Do outro lado uma equipa admirável, o FC Porto, líder incontestado e imbatível há dez meses. Claro que o campeão pode derrubar quem vai na frente, é falta de respeito não o admitir. Mas consegui-lo seria sempre uma surpresa.
5 - Ui o Braga. A meio da semana o treinador do Sp. Braga pediu reforços à direcção e elogios aos jornalistas. Os reforços talvez apareçam, os elogios não os merece. O Sp. Braga das Antas (como o da Luz, por exemplo) é uma equipa sem piada e sem risco, nada acrescenta ao campeonato. É preciso procurar fundo na memória para encontrar um arsenal do Minho tão pouco garrido. Em casa ainda disfarça, fora é uma equipa triste. Castro Santos devia estar agradecido: em Espanha um treinador tão pouco audaz no campo dos vizinhos teria vida curta.
6 - E em Setúbal? No Bonfim sucede o contrário. O Vitória amedronta-se em casa, arrisca quando vai fora. Frente ao Sporting o treinador assemelhou-se a um daqueles jogadores que preferem um drible improvável a um passe seguro. Esteve o Natal a pensar numa táctica inesperada, deixou no banco o melhor defesa mas acabou por ter de voltar à casa de partida aos 20 minutos, quando o barco deixava entrar água por todos os imensos buracos. No banco continua um dos jogadores mais eficazes da Superliga: Hugo Henrique, três golos em três jogos completos.
7 - Voltou o "rei". O campeonato ainda vai a meio, mas o regresso de Artur Jorge é já uma das notícias da época. Como nos contos de fadas, Artur Jorge sentou-se no banco e a Académica fez cair a sensação Varzim.
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