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Nunca conheci alguém que quando regressa ao trabalho e se pergunta como foram as férias não bufe: "Boas mas curtas." E isso com cara de quem sofre de hemorróidas. Quem diz férias, diz viagem – mas não forçosamente turismo. No filme ‘Um Chá no Deserto’ (que devia chamar-se ‘Um Chato no Deserto’), o personagem de John Malkovich chega a Tânger e resmunga: "Não sou turista, sou viajante."

Ok, mas quem viu o filme perdeu a viagem. Até Fernando Pessoa escreveu um guia turístico (em inglês): ‘Lisboa – o que o Turista Deve Ver’. Ou a cidade mudou imenso, ou ele tinha acabado de mamar no Martinho da Arcada e estava a ver a dobrar: descreve os funcionários públicos lisboetas como "competentes", "afáveis" e "poliglotas"!

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Por falar em lunático, brevemente haverá emissões de TV a partir da Lua. Richard Branson, dono da Virgin, financiou a ‘Space Ship Two’, uma nave que levará seis turistas de cada vez a um passeio orbital. Vendeu-se até ontem 200 bilhetes – e será filmada uma série de TV. O Travel Channel (na grelha da TV Cabo) nasceu em 1987, propriedade da companhia aérea TWA. Hoje, é da Cox. Só nos EUA, tem 89 milhões de assinantes. Num único dia de programação, e sem erguer o rabo do sofá, vagueamos por Aruba, Seichelles, Catalunha, Bratislava, Austrália, Honk Kong e Provença.

A rubrica mais cativante é ‘No Reservation’, do gourmet, sibarita e escritor Anthony Bourdain – vai na quinta temporada e já embolsou vários Emmy. De certo modo, ‘Mundo Pequeno’, apresentado por Artur Albarran na SIC, também é um périplo. Trata-se de uma série de ‘apanhados autênticos’, com disparates – burlescos ou trágicos – captados nos quatro cantos do Globo. O veterano Albarran continua com o seu estilo inimitável – graças a Deus, pois um chega e sobra.

Jorge Luís Borges, aquele gaúcho que era inglês, francês, árabe, grego e aprendiz de marciano, escreveu um conto sobre um homem que passava a vida a desenhar cidades, campos e mares. Um dia, pouco antes de morrer, descobriu que "esse paciente labirinto de linhas delineava a imagem da sua própria cara". Por mais que deambulemos, nunca saímos de dentro de nós. Como? Onde vou nas férias? Bom,a Veneza é que não. Há 15 anos estive lá pela primeira vez e enviei um telegrama desesperado aos meus pais: "Ruas inundadas. Aguardo instruções."

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