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Ora, à política, além dos defeitos que por vezes tem, não precisamos de acrescentar a chatice. De caras, uma novidade: o brilharete dos canais de notícias, que pela primeira vez superaram as audiências das redes abertas na transmissão das convenções partidárias. A proeza induziu tais canais a se realinharem ideologicamente, menos por convicção política e mais por fatia de mercado.

A liderança empurrou a CNN de volta ao centro, a MSNBC acampou à esquerda e a FOX consolidou o nicho conservador. Porém, apregoam isenção nos novíssimos slogans. O da CNN: ‘No bull, no bias’ (sem tretas nem parcialidade). O da FOX: ‘Fair and balanced’ (justo e equilibrado). O resultado é impressionante: uma pesquisa recente mostra que 39% dos americanos obtém informação através das emissoras noticiosas, contra 29% dos canais abertos.

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A campanha está a deixar o público pelo beicinho: os discursos de Obama e de McCain nas respectivas convenções atraíram mais espectadores do que a abertura dos Jogos de Pequim. Pudera: é a votação mais empolgante desde a de 1960, quando JFK se tornou no presidente mais jovem da História (e o primeiro católico). Agora há o cometa Obama, o primeiro negro com hipóteses reais de habitar a Casa Branca (sem trocadilho), com uma biografia de telenovela e uma lábia de Luther King. Mas, como advertiu Goethe já nos século XVIII, "depois de dez minutos ninguém continua a olhar o arco-íris".

Hoje, os tais dez minutos são mais meteóricos – daí o lampejo de Sarah Palin. Dizem os especialistas que raramente os discursos são decisivos ("Ufa!", suspirou Manuela Ferreira Leite). Há outra inovação. A eleição de 2008 está para a internet como a de 1960 estava para a TV: é a primeira vez que um novo veículo pode ser crucial. Até agora, a net tem-se destacado mais como instrumento de acção do que como meio de comunicação. Foi através dela que Obama arrecadou a maior parte das suas doações (75% do total de 400 milhões de dólares). Apesar disso, uma sondagem revela que 24% dos americanos já usa a net como PRINCIPAL fonte de informação! Ainda é menos do que a TV (32%) e os jornais impressos (31%), mas é muito mais do que o registado nas eleições de 2004 (13%) e 2000 (9%) – uma tendência assombrosa.

O resumo da ópera? Ou os protagonistas políticos lusos viram o disco e param de tocar o mesmo ou terão tanta audiência quanto o Canal Parlamento.

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