Não posso conversar com ninguém porque não há aqui ninguém.” Entretidos que andamos com diversas polémicas mais ou menos irrelevantes, e que ficam confinadas a um pequeno círculo citadino, quase nos passam ao lado testemunhos de vida como os que foram recolhidos na reportagem ‘aldeias sem almas’ da nossa jornalista Carolina Cunha, domingo passado, no CM e na CMTV.Trata-se de um retrato impiedoso da solidão que se espalha como uma doença pelos vastos territórios do Interior. Portugal é um país que encolhe cada vez mais, à medida que os idosos vão sendo abandonados à sua sorte em terras inóspitas, longínquas, sem acessos e sem comunicações. Em muitas aldeias já não há mais que um habitante, derradeiro sobrevivente e dique contra a desertificação, homens e mulheres com décadas de vida e que, hoje em dia, já só têm o horizonte longínquo como companhia, e por vezes um animal de estimação como guarda e consolo moral. Aldeias com nomes esquecidos como Adcasal, Vale Tordo ou Praçais, onde conhecemos grandes portugueses como Maria Fernanda, José da Cruz ou Maria Emília, que habitam o seu território íntimo e abandonado, e resistem como podem ao silêncio, ao isolamento e à morte certa. Assim se vê como Portugal vai minguando aos poucos, vítima do abandono do território. Deixaremos a Nação morrer assim?
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt