António Costa deu uma lição de democracia. A investigação judicial de que é alvo tornaria totalmente insalubre a continuidade como primeiro-ministro. Ao apresentar a demissão, o líder do Governo demonstrou um escrúpulo ético e republicano que nem sempre exigiu aos seus ministros e colaboradores. Foi pena. Em política, o longo prazo é uma abstração. Em poucas horas, o País, atónito, viu-se sem Governo e assistiu à destruição interna de uma maioria absoluta que parecia sólida. Entramos, por isso, numa fase perigosa, mas exigente, da nossa vida coletiva. A próxima palavra cabe ao Presidente. Marcelo é o ator político mais popular do País e detém um prestígio ímpar entre todas as instituições. Felizmente, o chefe de Estado chega a esta encruzilhada na posse da plenitude dos seus poderes. Em democracia, há sempre uma forma de resolver uma crise: devolver a palavra ao povo, soberano, e clarificar as soluções políticas para o futuro coletivo. É por isso fundamental deixar uma palavra de tranquilidade e de otimismo. Na história da nossa democracia, que caminha para os 50 anos de vida, já houve crises mais graves e cenários mais negros. Nós, o povo, sempre as soubemos enfrentar e resolver, mesmo nos momentos em que isso era seguramente mais difícil. Assim será, de novo. Vamos a votos.
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