Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos entraram na fase epistolar da negociação do Orçamento do Estado. Ontem, trocaram cartas, ou comunicados públicos, através dos respetivos gabinetes de comunicação. Os textos contêm uma série de expressões nada simpáticas de parte a parte, cada um acusando o outro lado de não querer negociar, entre outras tropelias. Felizmente, no final o que fica é a marcação de uma data para o encontro entre os líderes. O primeiro-ministro e o líder da oposição vão reunir-se na próxima sexta-feira, às 3 da tarde. É, por isso, errado pensar que a troca de acusações tão graves como provocação, falta à verdade, discussão infantil e estéril, expressões atiradas de um lado para o outro da barricada, signifique que a conversa está acabada. Pelo contrário. A conversa não está acabada. A conversa só agora vai começar. Julgo que ambos já sabem que vão ter de se entender. O problema é que nenhum deles encontrou ainda o pretexto certo. O IRS Jovem transformou-se no ponto focal desta história. Ora, talvez a conclusão do independente Conselho de Finanças Públicas contenha a chave para o acordo, ao alertar para a derrapagem das contas públicas se o plano do Governo avançar. Eis, eventualmente, a narrativa certa para Montenegro. Havendo esse risco, e não tendo o Governo calendarizado a promessa, a execução faseada do IRS Jovem pode ser o lugar certo para o compromisso.
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