Ciclicamente surge em Portugal um discurso sobre a necessidade de os partidos moderados se unirem numa espécie de bloco central. Os que defendem esta opção desenvolvem uma argumentação simples que parece fazer sentido. Eis, em resumo: o País precisa de reformas nas áreas fundamentais da governação, os políticos só tomam decisões relevantes se não tiverem medo de perder votos, pelo que só com responsabilidade partilhada entre socialistas e sociais-democratas haverá coragem para mudar o que está mal.
Como qualquer silogismo, aparenta ser inatacável, mas está completamente errado. Juntar numa grande coligação, ou num consenso alargado, os dois partidos que sustentam o Estado agravaria o risco de paralisia mútua.
Haveria duas clientelas a satisfazer ao mesmo tempo, meio caminho andado para a ineficiência. Além disso, é válido o tradicional argumento utilizado contra qualquer bloco central.
Se o PS e o PSD estivessem juntos no poder, haveria via verde para uma alternativa efetivamente radical, nada parecida com o populismo suave de André Ventura. Por isso, caro leitor, prepare-se: em todos os períodos eleitorais surge o discurso do bloco central, em geral turbinado por quem está em vias de perder. Fique atento: trata-se de uma forma de minimizar derrotas utilizando o País como pretexto ideal.
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