Carlos Rodrigues

Diretor

"A Europa tem de apoiar Espanha na defesa de Ceuta"

03 de agosto de 2026 às 00:32
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Só uma enorme falha de segurança explica o que se passou em Ceuta. Mais de 60 mil pessoas entraram na cidade. A maior parte regressou poucos dias depois, o que mostra a porosidade da fronteira. O facto de Madrid não ter informação prévia representa o colapso da prevenção do Estado espanhol, surpreendido pelo afluxo de pessoas sem resistência de Marrocos, adepto da chantagem migratória. Mas se a reação espanhola foi má, a resposta europeia foi pior. Ceuta e Melilla estão fora do espaço Schengen.

Não se passa de Ceuta à Península sem identificação num controlo policial. Era preciso ajudar o Governo de Sánchez a estancar a invasão de Ceuta, mas era, também, imperioso garantir a segurança do estreito. A posição de todas as capitais, e partidos extremistas por essa Europa fora, que se apressaram a defender a suspensão de Schengen em relação a Espanha é lamentável. Por causa de uma fronteira que Schengen nunca cobriu.

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Só unida a Europa conseguirá fazer frente às forças que ambicionam a sua destruição, e ambicionam-no porque a União Europeia é uma potência muito mais forte que as partes divididas. Seja esse inimigo o reino de Marrocos, que sonha enfraquecer Espanha e abocanhar o controlo das cidades no Norte de África. Sejam Israel ou a América, democracias disfarçadas de autocracias transitórias. Seja a Rússia, de quem já nada se espera. A Europa tem de se juntar a Madrid na defesa de Ceuta. Defender a fronteira externa é defender a democracia. Eis o que os cidadãos da Europa exigem aos seus líderes.

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