Carlos Rodrigues

Diretor

"A eventual confirmação de Centeno será uma jogada de alta política"

21 de julho de 2025 às 00:32
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A confirmar-se a indicação dada ontem pelo primeiro-ministro, no Funchal, Mário Centeno pode ser a solução para o Banco de Portugal para os próximos cinco anos. Montenegro confirmou que só na próxima quinta-feira o Governo irá fazer a nomeação, e elogiou o perfil do atual governador. Isso seria mais um golpe de alta política da parte do chefe do Governo, apostado em não deixar créditos em mãos alheias.

Em primeiro lugar, se Centeno for o próximo governador, isso representará, para todos os efeitos, um gesto de boa vontade para com o PS. Os socialistas ficam com a primeira nomeação relevante deste Executivo, e mantêm um papel charneira no regime.

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Em segundo lugar, Montenegro dá a imagem de um chefe de Governo magnânimo, que nomeia pela competência e não pelo cartão partidário, além de dar prova de que não receia as críticas das entidades independentes nem dos reguladores.

Mais importante que tudo isto será, porém, a duração do mandato. Numa altura em que os herdeiros de Costa se preparavam para filiar o antigo ministro das Finanças no PS e lançá-lo para a sucessão de José Luís Carneiro, eis que Centeno fica mais cinco anos fora da política, e sem possibilidade de fazer oposição.

A confirmar-se, a nomeação de Centeno para um novo mandato será sobretudo uma jogada de alta política.

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