Carlos Rodrigues
Diretor"A mensagem do Presidente é clara: temos de abandonar o improviso"
02 de junho de 2026 às 00:32Num País sem o hábito de registar por escrito o que é importante, constitui uma lufada de ar fresco a decisão do Presidente da República de fazer um relatório em que fixa as conclusões a que chegou na Presidência Aberta no centro do País. Já passaram uns dias desde que o texto foi publicado, mas ele constitui uma novidade política suficientemente relevante para ser aqui destacado. Portugal é o país da não inscrição, como diz o filósofo José Gil. Não há registos, não há inscrição, não há responsabilidade, ninguém é culpado. Nada se escreve, tudo se transforma. O relatório presidencial é uma afirmação política da necessidade de contrariar esta tragédia coletiva, e analisar, estudar, deixar registo e apresentar propostas para corrigir o que está mal. Além disso, constitui um repto muito grande a todo o Estado, porque ficam gravados em pedra os erros, as falhas, o que deve ser feito, e, sobretudo, quais são as medidas necessárias para evitar a repetição da tragédia. Poderemos, no futuro, consultar o texto e compará-lo com os efeitos da ação, ou da falta dela. A mensagem central do Presidente Seguro é simples: Portugal tem de abandonar a apagada e vil tristeza do improviso, da cultura do desenrasca, da falta de método e de vontade. O texto di-lo de forma direta. Teremos de saber “se esta crise ficará limitada à memória de um episódio destrutivo, ou se será convertida numa oportunidade de transformação”. A palavra ao poder executivo.
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