Carlos Rodrigues
Diretor"A mentira e a provocação fazem das redes sociais inimigas da democracia"
09 de junho de 2026 às 00:31Thomas Friedman é um colunista do ‘New York Times’, um dos grandes jornais americanos. Já ganhou três Pulitzers e é uma celebridade da opinião. Esteve em Portugal há uns dias, num fórum académico ligado ao Brasil. Li agora, no ‘Estado de S. Paulo’, outro grande jornal, as impressões da viagem a Lisboa. “Estive em Portugal e fiquei chocado com o quanto os executivos europeus falam sobre terem perdido a confiança nas instituições americanas e nos EUA”, escreveu Friedman. “Cada dia que os americanos toleram esse tipo de comportamento, colocam em risco o futuro dos seus filhos.” É bom sinal que a resistência intelectual a Trump não morra dentro da América. Ora, um amigo do jornalismo chamou-me a atenção para o discurso que antecedeu estas notas. Friedman fez um ataque violento às redes sociais, inimigas da democracia, porque têm na mentira e na provocação o modelo de negócio. A democracia baseia-se nos valores opostos. Na verdade e na criação de confiança para procurar consensos e resolver conflitos. É um conceito poderoso, e um desafio para os jornalistas. Temos de conseguir explicar ao povo a vantagem do jornalismo profissional em relação às redes sociais. Porque é na polarização ignorante que nascem fenómenos como os que mantêm Donald Trump no fio da irracionalidade. As redes sociais como instrumento do triste poder americano da atualidade, eis um pensamento em que devemos matutar.
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