Carlos Rodrigues

Diretor

"A minha filha disse: “O Ronaldo está triste.” Hoje, estamos todos"

06 de novembro de 2026 às 00:32
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Há 23 anos, um miúdo da Madeira estreou-se pela Seleção, em Chaves. Portugal nunca mais foi o mesmo. Um ano depois, vimo-lo chorar pela primeira vez, no relvado da Luz, na final do Euro 2004. Chorou como choram os miúdos, sem vergonha nenhuma. Em 2016, em Paris, voltaram as lágrimas, mas já com a taça nas mãos. Pelo meio, mudou a forma como se faz um jogador. A força de vontade como método e o golo como obsessão. Ser o melhor do Mundo era a missão, e cumpriu-a.

Mudou também a Seleção: um Europeu, duas Ligas das Nações, estádios cheios em todo o planeta, uma equipa respeitada antes de tocar na bola. Isso mudou o País. Em lugares onde ninguém sabe apontar Lisboa no mapa, Portugal é o país de Ronaldo.

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E mudou-nos a nós. A minha filha nasceu depois de Paris e tem nove anos. Há umas semanas, olhou para a televisão e disse: “O Ronaldo está triste.” Nunca imaginou uma Seleção sem ele. A partir de hoje, vai ter de imaginar.

Porque Ronaldo disse adeus à Seleção. Deixou-nos uma frase: a maior vitória foi ter merecido representar “o melhor País do Mundo”.

Esta história não acaba agora. A minha filha há de contá-la aos filhos dela. Daqui a cinquenta anos, e depois, ainda se falará do miúdo que se estreou em Chaves e mudou o futebol, o País e todos nós.

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Esta noite, vai ser difícil aos pais e avós do mundo português explicar que Ronaldo nunca mais vai vestir a camisola de Portugal. Se a minha filha voltar a dizer que o Ronaldo está triste, vou dizer-lhe a verdade: hoje estamos todos.

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