Carlos Rodrigues
Diretor"A ministra do Trabalho conseguiu unir todos contra o Governo"
05 de agosto de 2025 às 00:32A pior forma de debater uma reforma política relevante é apalhaçar os argumentos. Quando se fala dos abusos das mães que amamentam até à primária, isso tem 3 problemas principais. Primeiro, não há dados que sustentem essa afirmação, apesar de o CM estar a solicitá-los há dois dias. Segundo, confunde-se o necessário combate aos abusos, que serão eventualmente pontuais, com a necessidade de ajudar quem efetivamente precisa. Finalmente, torna-se o discurso político numa brincadeira insensata, ao jeito de Trump. Mais valia à ministra do Trabalho ter ficado calada, porque dificultou a tarefa do Governo de reformar com critério as leis laborais. Trata-se de uma área sensível, campo para forças em conflito com poder muito diferente. Ao Estado, através da lei, cabe equilibrar essa balança desigual. Com uma maioria de direita, é natural que o fiel penda para as empresas.
O problema é que a maioria de direita não é sociologicamente homogénea. O Chega cresceu à custa de eleitorado que vem da esquerda, descontente com o facto de comunistas e bloquistas se terem esquecido de defender o povo, mais focados em preocupações urbanas pouco compreensíveis para quem sofre. É, por isso, razoável pensar que não vai ser fácil conjugar o pensamento da direita que está no poder com a ação da direita que puxou pelo Chega. A declaração absurda da ministra limita-se a unir todos contra o Governo.
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