Carlos Rodrigues
Diretor"A soberania do Brasil pesa mais porque o vizinho do lado é a Venezuela"
27 de outubro de 2026 às 00:32Lula ganhou ao contrário. Perdeu a primeira volta, mas virou o resultado com uma insuspeita energia para os seus 80 anos. Trocou o palanque pelo vídeo das selfies, nas redes sociais onde a direita brasileira, como em todo o planeta, julgava reinar sozinha. A vitória não remenda um país partido ao meio, mas estabelece uma diferença de milhões de votos. O empurrão de Trump a Flávio Bolsonaro entregou a Lula a bandeira da defesa da decência e da soberania. E a soberania pesa muito quando o vizinho do lado é a Venezuela. Washington arrancou a Caracas petróleo a preço de saldo, e uma concessão que a Casa Branca diz ser válida por um século. Visto do Brasil, ser amigo de Trump começa a parecer ser seu cliente e escravo. Malhas que o império tece. No mesmo dia, a Sérvia derrubou um velho autocrata às mãos de uma improvisada lista de estudantes. Já em abril, Orbán, o preferido do movimento MAGA na Hungria, tinha sido varrido pelo voto popular. Não são vagas democráticas iguais, nem sequer são todas de esquerda. O que todas têm em comum são eleitores cansados de homens-fortes, padrinhos estrangeiros e cabelos alaranjados. Quanto ao Brasil, a democracia só ganha de vez quando Flávio reconhecer a derrota, e partir para o exílio dourado em Washington, ou para a cadeia. Tal como no fim da primeira volta, a eleição de domingo prova que o Brasil e os brasileiros sabem votar. Falta provar que quem perde sabe perder.
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