Carlos Rodrigues

Diretor

"A transparência exime o decisor da suspeição, e isso reforça a sua liberdade"

28 de abril de 2026 às 00:32
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Quis o acaso que uma notícia sobre o governador do Banco de Portugal expusesse o absurdo do discurso do presidente do Parlamento apenas dois dias depois de ser proferido. A notícia é do jornal ‘Público’, e dela damos nota na secção de política de hoje. Santos Pereira foi obrigado a desfazer-se de um conjunto de ações adquiridas depois de ser nomeado. A declaração a que estava obrigado revelou um potencial conflito de interesses, visto que a sua função no regulador é suscetível de estabelecer uma zona cinzenta. A declaração de compra de ações não é um qualquer reality show em redor do BCE, nem representa a espetacularização da política, muito menos um livre-trânsito para o populismo. Pelo contrário. Trata-se do mais são escrutínio do poder, exercido em nome do povo, de forma a salvaguardar o respeito pelos códigos de conduta, e a dar-nos a garantia ética na ação. No fundo, é a democracia transparente a funcionar. Quando um político com responsabilidades defende a opacidade está a reduzir a liberdade dos decisores, porque eles são tanto mais livres quanto mais se puderem eximir à suspeição. Todos os que, no poder atual, ousam defender a redução da transparência, o segredo em redor dos conflitos de interesses, das empresas pessoais ou familiares, dos seus clientes e negócios, devem ter a consciência que estão a adubar a desconfiança e os tiques populistas primários. Ficarão na História como verdadeiros inimigos da democracia.

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