Carlos Rodrigues

Diretor

"AD, Chega e PS. Há duas maiorias muito diferentes no país dos consensos"

06 de outubro de 2026 às 00:32
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O Presidente fez o primeiro discurso do 5 de Outubro. Sem recados e sem tiradas para o telejornal. Disse o que lhe compete e o que não lhe compete. Não quer governar a partir de Belém. Num tempo de ruído, é uma virtude.

Falou do custo de vida, que os salários não acompanham. Das licenças burocráticas que levam anos. Da habitação condigna. Pediu entendimentos e saudou o Governo e o PS pelo Orçamento. Já aqui escrevi: os acordos ao centro são a melhor barreira contra o populismo.

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Mas os consensos não escolhem tema. Na quarta-feira, a nova lei das rendas passou na generalidade. PSD, IL e CDS votaram a favor. O Chega absteve-se, com um acordo assinado minutos antes. O PS votou contra. O texto do Governo permite avançar para despejo ao fim de dois meses de rendas em atraso. Hoje são três.

O Orçamento junta Governo e PS. As rendas juntam Governo e Chega. O país dos consensos tem duas maiorias. Cada uma serve para uma coisa.

Esta segunda-feira, Sánchez marcou eleições antecipadas em Espanha. Tudo começou com o despejo de uma senhora de 87 anos.

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O Chega já se precaveu. O acordo promete que não haverá despejos selvagens. Se o vento mudar, Ventura sabe por onde sair.

A lei acabará em Belém. Aí, a serenidade deixa de ser estilo. Passa a ser decisão. Vem aí um teste à estabilidade.

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