Carlos Rodrigues
Diretor"Com um xerife incendiário estamos mais perto de ter o caldo entornado"
16 de outubro de 2026 às 00:32Os extremismos precisam sempre de um rastilho. E sabemos que em Portugal o apetecido lugar da extrema-esquerda tem estado vazio. Quando a polícia intervém da forma como interveio, na madrugada de quarta para quinta, no Porto, estava mesmo a ver-se que seria o pretexto ideal para os aprendizes de Mélenchon portugueses conseguirem juntar um pouco mais de pessoas às praças da indignação contra a verdadeira crise da falta de casas. Crise, essa sim, dramática, capaz de irritar gerações, e limitadora do desenvolvimento e da mobilidade social no País. Eis que temos manifestantes nas ruas do Porto, e no próximo fim de semana em mais cidades, armados com as palavras de ordem da demagogia, e os líderes e protolíderes da esquerda mais à esquerda, que estavam sedentos de sentir o povo a aderir aos seus momentos de êxtase contestatário, agora a embriagarem-se com velhos slogans há muito desaparecidos do espaço público, revistos e aumentados pelas dificuldades da vida moderna. Um dia faremos o balanço desta intervenção policial, e das palavras mais duras do autarca do Porto, e se não terão sido o pretexto que faltava para criar um problema sério onde antes havia apenas folclore. O bom senso, a proporcionalidade e a adequação são valores essenciais para conter os extremismos. Quando o extremismo se contrapõe a um xerife incendiário, ficamos todos mais perto de ter o caldo entornado. E depois?
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