Carlos Rodrigues
Diretor"Como irá reagir o PSD profundo à perspetiva de uma aliança com André Ventura?"
19 de junho de 2026 às 00:32O congresso do PSD deste fim de semana realiza-se debaixo do efeito conjugado de dois factos políticos muito relevantes. Em primeiro lugar, a confirmarem-se os sinais de fumo ontem lançados na Assembleia da República pelo líder parlamentar do PSD, Governo e Chega têm um princípio de entendimento numa matéria essencial para a governação, o pacote das novas leis laborais. Será uma espécie de fim simbólico do “não é não” a acordos com o Chega, mantra utilizado por Luís Montenegro nas duas campanhas eleitorais que o levaram ao cargo de primeiro-ministro, e que constitui um dos pilares fundamentais do seu projeto político até ao momento - há quem diga que só assim logrou chegar ao poder. O outro fator que vai marcar a reunião magna dos sociais-democratas é a constatação do desgaste eleitoral da AD e do seu líder, que surge apenas uma décima de ponto percentual à frente de André Ventura nas preferências para liderar o Governo, e a uma distância de José Luís Carneiro que já se encontra fora da margem de erro. Mais do que o desgaste registado pelo Governo nas intenções de voto, que são sempre voláteis porque os eleitores sabem que não haverá eleições a curto prazo, a quebra acentuada nas preferências do líder da AD pode criar um sobressalto no partido que se prepara para entronizar o líder para mais um mandato. Como irá reagir o PSD profundo à perspetiva de aliança com o Chega e com André Ventura?
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