Carlos Rodrigues

Diretor

"É absurdo os incêndios ficarem fora do discurso político"

18 de agosto de 2025 às 00:32
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Em vez de estarmos a analisar a situação de falência do Estado e da Proteção Civil, demonstrada pela desorientação geral no combate aos fogos, vai por aí um certo frenesim para se saber se os políticos devem ou não falar dos fogos. Ora bem: alguém considerar que uma dor coletiva como esta que estamos a viver deve ficar fora do discurso político é tão absurdo como seria a afirmação de que não se pode falar da crise da habitação enquanto não houver casas para todos, ou que se deve manter o caos da saúde a salvo do debate partidário enquanto houver uma urgência encerrada por falta de médicos. É este tipo de tique elitista que faz com que o povo olhe para o lado e se vire para os populismos, à conta de ter ficado completamente abandonado nesses campos sem fim a arder. E só espero, a bem da sanidade mental do País, que lá para setembro não apareça um qualquer iluminado a dizer que a solução para os fogos é no próximo verão afastar as televisões. A censura anda sempre por aí, escondida nos interstícios da Nação. Sejamos claros: o que se vê por esse País fora é uma situação de extrema gravidade, em que fica a sensação de que não há ninguém aos comandos, não há plano de ação, nem há a mínima ideia do que se está a passar. Daí à anedota do gin ou do brinde num qualquer restaurante algarvio vai um passo, que o poder central tem obrigatoriamente de atalhar o mais depressa possível. É urgente ocupar o espaço e afastar o desalento, a angústia e o vazio coletivo que nos atormenta nestes dias.

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