Carlos Rodrigues
Diretor"Espanha, país dividido como poucos, unido pela sua seleção"
21 de julho de 2026 às 00:32Por coincidência, estava em Espanha nas duas últimas finais de competições de seleções. Há um ano, recebi parabéns de muitos espanhóis pela vitória nos penáltis na Liga das Nações. Domingo, aplaudi a justiça do resultado que uniu a Espanha, um país polarizado, mas que ama a uma só voz a sua seleção. Foi uma das finais mais desequilibradas que já vi. A proteção informal à Argentina consagrou um monstro do antijogo. O campeão do Mundo devia ter ficado na eliminatória com Cabo Verde, no máximo com o Egito. Acabou no jogo decisivo, e Messi teve uma despedida inglória. Nem um remate até aos 117 minutos, e só dois, desenquadrados da baliza, até ao fim do prolongamento. Um recorde difícil de bater. Este foi provavelmente o melhor Mundial de sempre, com a pior final da História. O espetáculo que alargou o intervalo do jogo para exasperante meia hora não ajudou. Foi muito pobre e teve momentos de comédia, pouco dignos de uma modalidade universal. O futebol não casa com a fórmula americana, e esta conclusão não advém apenas do fator Trump, que, aliás, quis ficar na fotografia de uma forma que até a Infantino incomodou. Felizmente, os maiores jornais do Mundo, como o nosso CM, tiraram o emplastro do enquadramento do novo campeão do Mundo. A fasquia está alta para o próximo torneio, em que a Espanha vai defender o título em casa. Portugal também está apurado. Jesus tem 1417 dias para fazer da Seleção uma máquina de ganhar com nota artística. Costuma conseguir.
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