Carlos Rodrigues

Diretor

"Fazer a Humanidade grande outra vez é a filosofia da encíclica papal"

01 de junho de 2026 às 00:32
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A encíclica papal ‘Magnífica Humanidade’ é a mais profunda reflexão sobre os efeitos da inteligência artificial na humanidade. Leão XIV alerta para os perigos de retirar o critério humano do centro da decisão. A IA despersonaliza opções, pensamentos, ações e a própria moral. Acima de qualquer ética coloca a eficácia, o que pode ter efeitos devastadores, como se viu na guerra do Irão. A seleção de alvos pela IA proporcionou o massacre numa escola iraniana, atingida por engano devido à desatualização dos dados. “Quando a decisão de atingir se automatiza ou é obscura, aumenta o risco de desresponsabilização. Por isso, a cadeia de responsabilidade deve permanecer identificável e verificável: quem projeta, quem treina, quem autoriza e quem utiliza deve poder prestar contas das suas escolhas”, escreve o Papa. Escrutinar essa espécie de caixa negra da IA é fundamental para manter o fator humano como último recurso - condição, aliás, que postulámos também para a IA no nosso jornalismo, na recente revisão do Estatuto Editorial do CM. Fazer a Humanidade grande outra vez é a filosofia basilar da encíclica. O repto está lançado, e não só a Trump, porque o texto do Papa, ao fazer a primeira reflexão sistemática sobre os efeitos da inteligência artificial na civilização, questiona a passividade dos Governos democráticos, que têm mantido um não tão magnífico silêncio sobre o tema.

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