Carlos Rodrigues

Diretor

"Impôs-se a ideia de que a AD conspirava nas costas do povo"

24 de abril de 2026 às 00:32
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O que nasce torto tarde ou nunca se endireita. A revisão das leis laborais carrega aos ombros esta maldição popular. A sensação de que a AD estava a conspirar nas costas do povo impôs-se desde o primeiro momento. A proposta inicial do Governo surgiu sem qualquer aviso prévio, e nem sequer foi à campanha eleitoral. Foi o pecado capital - a falta de transparência, a falta de explicações sobre as razões para este plano. Sobretudo porque os próprios empresários nunca consideraram o tema uma prioridade. O que terá levado o Governo a cair num erro tão grave por razões que, em bom rigor, não servem a ninguém? Depois, a falta de sensibilidade política fez o resto. A ministra Palma Ramalho não cuidou de dialogar nem de procurar consensos. Fechou-se num casulo de autossuficiência. Tudo isto redundou numa greve geral que acentuou o problema político, não só pela adesão, muito superior ao que o País eventualmente esperava, mas também pela reação prepotente do poder, que desvalorizou a mensagem das ruas. A revisão das leis laborais foi o primeiro episódio do divórcio crescente com o Governo. As sondagens mostram que nenhum partido se poderá associar à AD numa reforma inútil e impopular. No final desta novela, o mais certo é que a ministra acabe por seguir o mesmo caminho das suas propostas. Sair de cena, para que Montenegro e o Governo possam dar um suspiro de alívio, e seguirem em frente. 

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