Carlos Rodrigues

Diretor

"Infantino quer vender o Mundial de futebol ao clã Trump"

29 de julho de 2026 às 00:32
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Quase 100 anos de magia descrevem-no como património da humanidade. Agora, a FIFA quer tornar o Mundial de futebol num negócio de vinte mil milhões de dólares. O mecanismo chama-se FIFA Forward Enterprise. O vocábulo inglês ‘enterprise’ denuncia a mão por trás do gesto. Esta entidade passará a gerir um evento que junta gerações frente ao ecrã nas tardes de verão, de 4 em 4 anos. A ideia é vender fatias minoritárias a investidores privados. Apontado a parceiro principal, o irmão do genro do homem da Casa Branca. A fórmula secreta para que ninguém possa dizer ‘Trump’ sem ser desmentido. Infantino quer vender o Mundial, e prepara-se para o colocar na órbita do poderio americano. O movimento construiu-se passo a passo. O prémio da paz, em dezembro. Os escritórios na Trump Tower. A entrega do troféu a meias. Pelos vistos, estava em marcha uma ‘due diligence’, e agora chega o anúncio da transação. A UEFA respondeu que o futebol não é da FIFA, e, se Infantino avançar, arrisca uma cisão. A Federação portuguesa também terá direito a uma parte, e, por decência, Proença terá de se opor. Mas há outras 210 que vão receber uma quota que podem vender logo. O plano não é mercadejar apenas o torneio. É entregar o critério com que se decide onde se joga, quantas equipas, de quantos em quantos anos, e a que custo. O clã Trump não vai respeitar as leis do jogo nem os calendários. Vai impô-los. Assim morre o maior desporto do Mundo. Às fatias.

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