Carlos Rodrigues
Diretor"Montenegro não aparece: quem está aos comandos do País?"
21 de outubro de 2026 às 00:32A praça é de todos, e por isso mesmo não pode ser apenas de alguns. A PSP fez no Rossio, em Lisboa, o que lhe competia. Avisou, voltou a avisar, deu tempo, e só depois agiu. Numa operação desta dimensão, 55 detidos e dois feridos ligeiros revelam profissionalismo, não brutalidade. A polícia cumpriu a sua missão. Garantir a segurança pública.
Nos próximos dias, as multidões vão voltar às praças das cidades. Convém que o poder perceba que qualquer rastilho incendeia o ambiente. É essencial seguir o exemplo da madrugada de terça-feira. A força exerce-se com os argumentos da razão, não através do poder bruto.
O essencial é perceber que a crise da habitação é real. Quem a sofre tem razões para protestar. Claro, ninguém resolve a falta de casas acampando no centro da capital. Mas o ambiente de festa gerado em redor dos protestos pode tornar-se imparável.
Finalmente, convém não sermos ingénuos. Durante anos, o País habituou-se a vigiar apenas os perigos da extrema-direita. A extrema-esquerda também existe, também sabe aproveitar-se de causas justas e também desafia a autoridade do Estado quando lhe convém.
A polícia cumpriu a sua parte. Falta agora que o Governo e as câmaras cumpram a deles.
A propósito: onde anda o primeiro-ministro? Quererá Luís Montenegro manter a impressão geral de que não há ninguém aos comandos do País?
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