Carlos Rodrigues

Diretor

"No Benfica falta estratégia, liderança e capacidade de comunicação"

21 de maio de 2026 às 00:32
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Há momentos nas instituições em que a conjugação de fatores provoca uma sequência de acontecimentos que sintetiza tudo o que está errado na organização. Como uma espécie de erupção vulcânica, as coisas vão piorando aos poucos, até que, a determinado momento, explodem e tudo se destrói. A forma como se está a processar a saída de José Mourinho é uma espécie de sumário executivo da profunda crise que afeta o Benfica. Falta de estratégia, de liderança e de capacidade de comunicar. Os dirigentes do clube conseguem o estranho feito de andarem a reboque dos acontecimentos há 2 meses e meio, desde que o treinador anunciou que estava disponível para renovar. Num dos três maiores clubes portugueses, trata-se de um verdadeiro ensaio sobre a desorganização. O Benfica ficou refém ao longo de todo o processo, que nunca conseguiu liderar. Primeiro, não decidiu se o treinador renovava ou se era despedido por não ter alcançado os objetivos. Quando se tornou demasiado tarde, também não decidiu se ele ficava ou saía. Limitou-se a ser informado. Agora, não consegue, sequer, determinar em que dia fica livre deste pesadelo, para que o presidente do clube possa falar. Há, ainda, sinais de que está com dificuldade em arranjar sucessor. A novela de verão das transferências no futebol começou mais cedo. Para o Benfica, o pior é que não há nenhuma boa saída para o beco em que se deixou perder. 

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