Carlos Rodrigues

Diretor

"O Bilhete Postal de hoje é sobre “as palavras do meio” do Presidente Seguro"

15 de junho de 2026 às 00:31
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Há expressões que nos marcam e que acabamos por reter. Algumas, que nos tocam mais fundo, intrometem-se no nosso pensamento e seguem curso até serem usadas nas nossas reuniões de trabalho e no nosso dia a dia familiar. Repetimo-las muitas vezes porque fazem sentido, e quase se tornam nossas. À medida que envelhecemos, são cada vez mais raros esses momentos de revelação, porque já vivemos muito, já aprendemos alguma coisa, poucas novidades nos abrem os olhos para o espanto, já percorremos muitas frases e expressões. Ainda não tive oportunidade de sublinhar as palavras essenciais do Presidente da República no 10 de Junho, mas a sua relevância e a forma como jogam com a atualidade levam-me a recuar uns dias. “Neste tempo, faltam-nos cada vez mais as palavras do meio.” Ora aí está. As palavras do meio: eis um conceito poderosíssimo sobre o diálogo, a procura de soluções e do encontro que reduz diferenças. As palavras do meio reduzem arestas e abrem caminho para o diálogo, veredas de esperança. É muito do que falta nas democracias ocidentais da era das redes sociais, que constituem o exato oposto do espírito dessas “palavras do meio”. “São o antídoto para o vírus da polarização que tende a substituir a argumentação, o debate e a negociação”, disse Seguro nos Açores, curiosamente ressoando o essencial da mensagem de Leão XIV nas cortes espanholas, contra a polarização, o confronto estéril e a agressividade política. O projeto político desta Presidência já tem a expressão que sintetiza o espírito destes tempos. 

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