Carlos Rodrigues
Diretor"O custo de vida continuará a asfixiar o nosso quotidiano"
28 de julho de 2026 às 00:32O novelo em que se transformou a política tem feito esquecer a maior dificuldade da vida dos portugueses: a subida do custo de vida. Bastou uma guerra longe, no estreito de Ormuz, que se juntou a outra, na Europa, que já leva mais de quatro anos, para nos lembrar como tudo isto é frágil. Fechou-se um estreito que muitos de nós não saberíamos apontar no mapa, e a fatura chegou a Portugal. O custo de vida sobe à boleia dos combustíveis, da energia, do cabaz de bens essenciais.
O estreito fechou, reabriu, e fechou outra vez, o preço do barril anda num sobe e desce, mas o custo de vida não conhece o caminho de volta: sobe depressa, desce devagar, quando desce. A guerra que a América de Trump não soube ganhar até pode chegar ao fim, quanto mais não seja por falta de opções por parte dos Estados Unidos. No orçamento das famílias portuguesas, continuará. Ora, e aqui voltamos à ideia do novelo.
Enquanto em São Bento se discute quem manda em quem, enquanto os ministros percorrem os seus labirintos de explicações, e as oposições procuram desgastar o Governo, ninguém parece disposto a explicar aos portugueses o que farão para minimizar o sofrimento quando vão ao supermercado ou atestar o depósito de gasolina. A política entretém-se com o seu enredo. O custo de vida, esse, não precisa de exames, atrelados, obras sem alvará ou comissões de inquérito para continuar a asfixiar o nosso quotidiano.
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