Carlos Rodrigues
Diretor"O discurso do Governo não tem qualquer aderência à realidade"
26 de outubro de 2026 às 00:32Não foi pela voz do primeiro-ministro que o PSD defendeu, como lhe competia, a atuação das polícias na Baixa de Lisboa. Foi o porta-voz do partido, Sebastião Bugalho, o primeiro a aparecer, antes mesmo do ministro da Administração Interna. Disseram que a PSP tinha agido de forma proporcional e adequada.
Um dos problemas de Montenegro é que os seus políticos de mais elevado perfil estão fora do Governo. A AD é, na maior parte das vezes, defendida por dirigentes do partido, como o próprio Bugalho ou Hugo Soares, e não por ministros. Não faz sentido, e é grave para a integridade das instituições.
Mas passemos à frente dessa fragilidade e analisemos o conteúdo da defesa do Governo. A manifestação foi interclassista e pacífica. Vi, nos diretos da CMTV, muitas famílias com carros de bebé. Jovens a protestar de forma ordeira, sem queimar nem pilhar nada, ao contrário do que se vê em diversas cidades europeias. E não podemos passar os dias a censurar a falta de iniciativa das novas gerações, e depois criticá-las quando saem à rua e colocam a habitação na agenda política do País.
Em suma, a leitura feita pelos sociais-democratas do que se passou na Baixa de Lisboa tem um problema grave. Não tem qualquer aderência à realidade. O PSD vê uma manifestação desordeira que não existiu e que os portugueses têm muita dificuldade em vislumbrar.
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