Carlos Rodrigues

Diretor

"Os EUA descobrem o limite do seu poder, que imaginavam absoluto"

01 de abril de 2026 às 00:32
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Já tinha ficado implícito na resistência que a Ucrânia leva a cabo, há mais de quatro anos, contra a invasão russa, mas, aí, o papel americano, durante a liderança de Biden, pode ter confundido as coisas. Numa altura em que o poder do dinheiro desequilibra como nunca as relações sociais e entre Estados, a guerra entra, paradoxalmente, numa fase muito mais democrática, em que os orçamentos milionários, as armas indestrutíveis e a tecnologia imbatível acabam por ser contrariados por armamento muito mais barato, ágil e surpreendente. O paradigma dos drones de Kiev, lançados contra a Rússia em retaliação pelos mísseis hipersónicos, está a alastrar ao Mundo através da guerra no Irão. Aí, pequenos aparelhos não tripulados, à razão de 30 mil dólares cada um, têm um efeito devastador no inimigo, que recorre a mísseis Patriot, que custam 3 milhões a unidade. Nesta atualização da narrativa de David contra Golias do século XXI, os EUA descobrem os limites do seu poder, que imaginavam absoluto. Além da assimetria de custos, a superioridade bélica exige o uso quase total dos ‘stocks’ de armas de ponta. O esgotamento de recursos contrasta com o efeito letal dos ataques pontuais dos iranianos, que, dessa forma, mantêm a ameaça híbrida ativa a baixo preço. Eis o maior ensinamento geoestratégico do ataque de Trump a Teerão: a guerra está mais democrática. As superpotências estão mais frágeis e os conflitos cada vez mais imprevisíveis. O Mundo está mais perigoso.

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