Carlos Rodrigues

Diretor

"Os portugueses não querem eleições nem estão disponíveis para pensar nisso"

17 de julho de 2026 às 00:32
Partilhar

Os primeiros resultados do barómetro deste mês da Intercampus, o barómetro de referência nos estudos de opinião, mostra, grosso modo, que a situação política está congelada. O PS mantém-se à frente, apesar de descer ligeiramente, a AD ultrapassa o Chega, dentro do conceito de empate técnico, a direita continua maioritária e os pequenos partidos permanentemente enfraquecidos. A conclusão mais provável é que os portugueses não querem eleições, nem estão muito disponíveis para pensar nisso. Esta ânsia de estabilidade é um dos traços mais marcantes do eleitorado português. Ao longo dos anos, todos os partidos responsáveis por qualquer tipo de instabilidade foram penalizados eleitoralmente. Foi assim que Cavaco chegou à maioria absoluta, depois de ser derrubado pela esquerda. O mesmo aconteceu com Costa, depois de ser apeado pela geringonça. E Montenegro também beneficiou com isso, quando Pedro Nuno Santos derrubou a AD. Ao assistir ao debate do Estado da Nação percebe-se que esta consciência está bem presente em todos os líderes políticos. Numa espécie de jogo de poker, Governo e oposição desafiam-se a apresentar moções de censura ou de confiança. Nem Montenegro nem Ventura morderam o isco. A armadilha da instabilidade é a nossa maior defesa contra a precipitação dos ciclos eleitorais. 

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar