Carlos Rodrigues
Diretor"Os portugueses precisam de saber porque falhou tanto o INE"
29 de junho de 2026 às 00:32Dois factos novos entraram de rompante na perceção nacional. Eis: afinal, já somos 11,4 milhões; e temos uma percentagem de 14% de estrangeiros. O Instituto Nacional de Estatística atualizou os cálculos sobre a população estrangeira, e contabilizou cerca de 630 mil pessoas a mais do que se pensava até agora. Esta alteração do universo tem consequências sérias. Várias estatísticas fundamentais, como o nível de vida, o desemprego ou a dívida estão, afinal, totalmente erradas. A falta de casas é muito maior do que pensávamos, e o défice de serviços de saúde é ainda mais grave, porque o total de habitantes é maior. Isto atinge, até, a nossa relação com a Europa, porque o próprio ranking da riqueza dos países é alterado, e para pior, porque temos a mesma riqueza a distribuir por mais gente. Adormecemos num país, e acordámos noutro. A perceção que tínhamos da realidade é totalmente errada. Ora, precisamos de perceber com seriedade o que falhou no INE, até para prevenir outros potenciais desvios. Somos todos do tempo em que a Grécia falsificava estatísticas para enganar os fundos europeus. Neste caso, não há indícios de qualquer dolo, nem mesmo político, mas a proporção do erro é de tal forma significativa que os portugueses merecem uma explicação. Por enquanto, é tudo o que me parece relevante questionar sobre o tema, que efetivamente muda o país em que vivemos. Afinal, o que falhou nas nossas estatísticas? O INE que se explique. Depois veremos.
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