Carlos Rodrigues
Diretor"Saída de Luís Neves é a única forma de salvaguardar o Estado"
04 de agosto de 2026 às 00:32Qualquer português com um mínimo de bom senso anseia que a governação corra bem. Haja o que houver, no fim da legislatura vamos a votos. Seria bom para todos que, ao fim de oito anos de Governos do PS, a AD estivesse a conseguir um bom desempenho. A alternância é um valor fundamental para o equilíbrio do regime. As instituições são sujeitas a uma renovação saudável, que aumenta a transparência.
Por tudo isto, o estado da governação do centro-direita não é uma boa notícia. Os portugueses sabem-no: a generalidade dos ministros tem-se revelado de qualidade inferior ao esperado, a coordenação política é frágil, o impulso reformista bate de frente com a situação parlamentar.
Acresce que Portugal está agora numa posição bizarra. O ministro que tutela as polícias e as forças de segurança é suspeito de ter facilitado com as regras, de eventualmente ter falhado à lei em matérias privadas, e de ter gerido a PJ com excesso de informalidade. Por ser o ministro que é, a situação é insustentável na Administração Interna.
Luís Montenegro tem cometido vários erros desde que chegou ao poder. Mas o primeiro-ministro já deu mostras de possuir o necessário sentido de Estado que ainda faz dele a melhor solução para o cargo. A saída de Luís Neves perturbará o Governo. Mas Montenegro sabe que é a única forma de salvaguardar o Estado.
Infelizmente, neste momento, essa é a única solução.
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