Carlos Rodrigues
Diretor"Seguro arrisca quando deixa a Ventura o monopólio da indignação"
05 de fevereiro de 2026 às 00:32Há uma certa tendência para as eleições presidenciais dos tempos mais recentes serem disputadas em circunstâncias especiais. Há cinco anos, a reeleição de Marcelo concretizou-se no final da mais bizarra campanha de que há memória. Foi em plena pandemia, com todas as limitações ao contacto pessoal, à comunicação e aos ajuntamentos que a Covid provocou, e de que bem nos lembramos. Seria difícil imaginar algo semelhante. Mas a verdade é que, cinco anos depois, aconteceu algo similar. A segunda volta da corrida a Belém está a ser totalmente condicionada pelos efeitos da tempestade que varreu o Centro do País. É certo que a limitação à ação política não fez muita diferença de ambas as vezes. Em 2021, o Presidente Rebelo de Sousa tinha a vitória garantida, e conseguiu obtê-la. Desta vez, Seguro também já caminhava para uma vitória anunciada, e nada do que sucedeu mudou essa realidade. Porém, os efeitos da grande depressão do Centro do País são politicamente assimétricos. Talvez por já se ver na chefia do Estado, Seguro tem sido suave com o Governo, apontando mais críticas aos processos e às estruturas do que propriamente ao Governo. Isso tem-se revelado uma opção arriscada, porque deixa Ventura com o monopólio da indignação que percorre o País quando vê a incompetência dos governantes, a insensibilidade do Estado e a falta de liderança da Proteção Civil.
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