Carlos Rodrigues

Diretor

"Sócrates ainda não percebeu o ridículo da situação em que se está a meter?"

09 de julho de 2025 às 00:32
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O Estado de direito baseia-se no primado da Lei. É perante a Lei que todos os cidadãos são iguais, é com a Lei que contamos para sermos protegidos. É também de acordo com a Lei que todos os crimes devem ser punidos. Trata-se de uma construção abstrata e legal, e que resulta da vontade do povo, no caso da democracia.

A Lei aplica-se a todos, de forma cega, independentemente da riqueza, da religião, da ideologia, da cor da pele, ou de qualquer outra característica individual. Incluindo o tom de voz utilizado em tribunal. Vem isto a propósito, não apenas da ‘Operação Marquês’, mas de dois julgamentos muito relevantes para a comunidade, que, por um golpe do destino, coincidiram parcialmente no tempo, expondo a justiça.

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No caso da grávida da Murtosa, como ficou conhecido o processo envolvendo o desaparecimento de Mónica Silva, é de louvar a coragem do coletivo de juízes, que, indiferentes a todas as emoções, por mais legítimas que sejam, aplicaram a Lei de forma cega. Não há provas, absolve-se o arguido. É essa mesma coragem que deve ser mostrada pela juíza Susana Seca.

Os relatos do nosso jornalista Carlos Rodrigues Lima, que tem assistido às sessões, indicam que a magistrada tem feito tudo para não dar razões de queixa ao arguido Sócrates e não desestabilizar o julgamento. Uma universal e abstrata paciência é o que a magistrada deve mostrar. Sócrates ainda não percebeu o ridículo da situação em que se está a meter?

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