Carlos Rodrigues

Diretor

"Trump saiu de uma cimeira da NATO escondido numa carrinha de catering"

12 de agosto de 2026 às 00:32
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Donald Trump está encurralado. E não falo apenas da notícia do ‘Washington Post’, que revela uma verdadeira história de contraterrorismo que o levou em segredo para outro avião, na Turquia. A retirada de um ocupante da Casa Branca, escondido numa carrinha de catering no lado oculto do avião, com os jornalistas a ficarem para trás, nessa espécie de aparelho-isco, de janelas fechadas e convencidos de que viajavam com o Presidente, vai fazer parte da História desta administração. Trata-se do caso mais improvável de instrumentalização da imprensa. Trump bombardeou o Irão, o regime continua de pé, e o resultado palpável é um Presidente que sai de uma cimeira da NATO escondido numa carrinha. Não é de uma derrota militar que se trata. É a demonstração de que a superioridade de meios não compra impunidade. A assimetria de custos, que permite a um Estado mais fraco colocar em risco uma potência gastando uma fração do que ela gasta, muda o estado da arte dos conflitos, mas muda também a segurança dos líderes. Para Teerão, bastaria um míssil portátil, ou um drone, na descolagem ou na aterragem, para colocar em risco Trump a bordo de um avião-fortaleza. Esse perigo vai acentuar-se, e a vida dos serviços secretos americanos não vai ser fácil. Desta vez fizeram o seu trabalho. O Presidente está vivo e o plano falhou. Mas o regime que ele bombardeou obrigou o homem mais protegido do Mundo a deixar uma cimeira aliada numa carrinha de catering.

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