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Carlos Rodrigues

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Tantos anos depois da loucura inicial e assassina, Rushdie continua na mira dos fundamentalistas.

Carlos Rodrigues(carlosrodrigues@cmjornal.pt) 16 de Agosto de 2022 às 00:33
Confesso - sucumbi à tentação de reabrir os ‘Versículos Satânicos’, edição já velha, do século passado, na D. Quixote, publicada com "apoio moral" da secretaria de Estado da Cultura, e a citar a Constituição Portuguesa na abertura do livro.

Era a este nível, dos grandes princípios, que se jogava na altura a edição e a leitura de Rushdie. Trata-se de um grande romance, no sentido nobre da arte definido por Kundera - não há fronteira entre o bem e o mal, não há bons nem maus, chamem-se Saladinos ou Gabriéis, personagens da história, todos os valores morais são difusos, como difusa é a vida de todos os dias.

Tantos anos depois da loucura inicial e assassina, Rushdie continua na mira dos fundamentalistas. O autor é um resistente, que corporiza os grandes valores do Ocidente, e merece a nossa homenagem, e sobretudo a nossa leitura.
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