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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Carlos Rodrigues

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Este é o tempo dos políticos que fumaram, mas não inalaram.

Carlos Rodrigues(carlosrodrigues@cmjornal.pt) 25 de Janeiro de 2023 às 00:32
Na política portuguesa estamos na era do fumar sem inalar. A história é de enquadramento rápido para os leitores mais novos. Bill Clinton foi um ótimo Presidente americano, no final do século passado, mas teve uma carreira cheia de polémicas desde o momento zero.

Na campanha, por exemplo, livrou-se do fantasma do consumo de drogas com a frase que ficou para a História do Ocidente como a metáfora perfeita da mentira rasteira, mas sofisticada. Fumei, mas não inalei, justificou-se o marido de Hillary, e não se riu.

Fumar sem travar parece a fórmula perfeita para apanhar um mentiroso, mas são insondáveis os caminhos dos eleitores, e a verdade é que Clinton chegou ao poder, e depois foi o que se sabe. Por cá, os tempos mais recentes têm sido marcados por políticos que fumaram mas não inalaram, nas mais diversas situações.

Carla Alves, por exemplo, foi secretária de Estado por pouco mais de 24 horas por ter as contas arrestadas. Disse alguém por ela que não eram as contas que estavam arrestadas, era o saldo.

Esta terça-feira, outro caso. Sobre a derrapagem nas obras do Hospital Militar, lá se concluiu no Parlamento que o ministro Cravinho tomou conhecimento, mas não autorizou.

Moral da história: parece que vivemos uma crise política. Na verdade, esta é uma crise da palavra dada, verdadeira, escassa e sincera, como deve ser a palavra no espaço público.

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